Terça-feira, 16 de Março de 2004

Camilo Pessanha

Estátua

Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor,- frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista de um rochedo.

Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre mármore correcto
Desse entreaberto lábio gelado:

Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.



Camilo Pessanha
publicado por CONSTALVES às 23:33
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